Ilusões
Em vão te chamo nos murmúrios vagos
Da doce brisa que fugindo vai;
A voz se perde na procela horrível
Que sobre os mares à noitinha cai.
Em vão te chamo! só responde o eco...
Em vão almejo contemplar a ti;
Medonha nuvem de mistérios cheia
Te induz,ai!sempre a te ausentar de mi'!
Aéreo sonho,mentirosa sombra
D'um sol no ocaso que a gemer tombou,
Em vão te busco nas mescladas nuvens
D'um céu querido que o luar banhou!
Nos rudes templos d'um passado estranho
À luz d'um círio pela dor erguido,
Lampejam inda as ilusões ditosas
D'um tempo estranho que lá vai sumido!
Assim,ó sombra,na minh'alma vives
Sem cor,nem luz,a divagar perdida...
Em vão te chamo!minha voz se perde
Por este espaço que chamamos vida!
Em vão te chamo!já me falta o alento!
Em vão procuro assemelhar teu canto!
És como a ave que a trinar na rama
Fugindo inspira ressentido pranto.
És como a ave que na sombra solta
Os seus prelúdios de saudade infinda,
E que fugindo quando a luz se mostra
Os seus cantares sonoros finda.
Júlia da Costa
